A Marinha do Brasil (MB) realizou, entre os dias 26 de agosto e 1º de setembro, a Operação “Sentinela”, na Elevação do Rio Grande (ERG), região de elevado interesse estratégico para o País, localizada no Atlântico Sul. A ação de presença contou, pela primeira vez, com o Navio-Aeródromo Multipropósito (NAM) “Atlântico”, Capitânia da Esquadra. O navio operou em conjunto com as Fragatas “Tamandaré” e “União”, além de realizar exercícios e adestramentos com aeronaves da Aviação Naval.
Durante a comissão, o NAM “Atlântico” navegou até a região da ERG, alcançando mais de 730 quilômetros de afastamento do litoral brasileiro. A formação submarina se estende pelo Atlântico Sul e alcança, em seus pontos mais distantes, aproximadamente 1.200 quilômetros da costa. A operação integrou atividades operativas, de formação e de apoio à pesquisa científica.
A Operação ‘Sentinela’ demonstra a capacidade da Esquadra de atuar em áreas oceânicas de elevado interesse estratégico para o Brasil mesmo que em grandes distâncias da costa e a integração de capacidades nos mantém prontos para contribuir com a defesa dos interesses nacionais no mar”, destacou o Comandante em Chefe da Esquadra, Vice-Almirante Iunis Távora Said.
De acordo com o Comandante do NAM “Atlântico”, Capitão de Mar e Guerra José Paulo Machado de Azeredo Junior, a Operação “Sentinela” reuniu diferentes vertentes de atuação da Marinha na Amazônia Azul.
Durante o deslocamento até o ponto de encontro com os navios que participaram da Operação ‘Fraterno’ — as Fragatas ‘Tamandaré’ e ‘União’ —, desenvolvemos diversas atividades operativas, científicas e de formação”, explicou.
A bordo do navio, estiveram 40 Aspirantes da Escola Naval e 15 pesquisadores dos cursos de Ecologia, Biologia Marinha e Oceanografia, vinculados a seis instituições de ensino e pesquisa do País: Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e Universidade Federal Fluminense (UFF).
O embarque possibilitou aliar a formação dos futuros Oficiais da Marinha à produção de conhecimento científico sobre uma região de relevância estratégica para o Brasil. Durante a comissão, o doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo, Rodrigo Fernandes More, também ministrou palestra sobre Direito Marítimo.
O embarque dos Aspirantes permitiu que eles conhecessem, na prática, a rotina de um navio da Esquadra e tivessem contato com as atividades operativas desenvolvidas no mar. Já a presença de pesquisadores a bordo contribuiu para ampliar o conhecimento científico sobre áreas marítimas de interesse estratégico para o Brasil. A produção de conhecimento científico é fundamental para fornecer subsídios aos estudos relacionados à extensão da Plataforma Continental Brasileira”, afirmou o Comandante.
Operações de esclarecimento
Durante a permanência na região da Elevação do Rio Grande, as aeronaves SH-16 (Guerreiro) e AH-11B (Super Lynx) realizaram operações de esclarecimento, ampliando a capacidade de vigilância dos meios de superfície e contribuindo para o patrulhamento da área. Durante a atividade, não foram detectadas embarcações estrangeiras.
O monitoramento ganha relevância diante do interesse científico e econômico da região. Nas áreas da plataforma continental sob direitos soberanos do Brasil, atividades relacionadas à pesquisa e à exploração dos recursos naturais do solo e do subsolo marítimos estão sujeitas às normas e autorizações do Estado brasileiro.
Adestramento no mar
A Operação “Sentinela” também contribuiu para a manutenção da prontidão dos meios da Esquadra. O helicóptero SH-16 (Guerreiro), do 1º Esquadrão de Helicópteros Antissubmarino (EsqdHS-1), foi uma das aeronaves empregadas durante a comissão.
A principal característica do ‘Atlântico’ é levar essa capacidade de aeródromo para onde quer que o Estado brasileiro precise. Sempre que o navio se faz ao mar e recebe helicópteros a bordo, é necessário realizar o treinamento e a requalificação dos pilotos e das equipes do navio. Esse treinamento permanente garante que estejamos sempre prontos para empregar os meios aéreos onde for necessário”, explicou o Comandante.
Entre os adestramentos a bordo do “Atlântico”, foi realizado o Fast Rope. A ação foi realizada pela aeronave AH-11B (Super Lynx) do 1º Esquadrão de Helicópteros de Esclarecimento e Ataque (EsqdHA-1) e por um destacamento de Mergulhadores de Combate (DstMEC).
O procedimento, que é uma técnica de infiltração rápida empregada por Mergulhadores de Combate a partir de aeronaves, permite a inserção de militares de Operações Especiais em locais onde o helicóptero não pode pousar e pode ser empregado, por exemplo, em ações de abordagem e retomada de navios e plataformas marítimas.
Uma região estratégica no Atlântico Sul
De acordo com o Secretário da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar, Contra-Almirante Robledo de Lemos Costa e Sá, a Elevação do Rio Grande é uma proeminente feição morfológica do Oceano Atlântico, de elevado valor estratégico, científico e econômico. Com uma área superior a 900 mil km², localizada no fundo do oceano, abriga importantes depósitos minerais e elementos químicos considerados essenciais para diversas cadeias produtivas de alta tecnologia.
Nesse contexto, a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), por meio das ações que coordena no âmbito do Plano Setorial para os Recursos do Mar (PSRM), apoia pesquisas científicas destinadas a ampliar o conhecimento sobre a região e a produzir dados que contribuam para os pleitos brasileiros junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC).
Reconhecendo a relevância dessa região, o Brasil submeteu, em dezembro de 2018, à CLPC, a proposta de extensão das margens Oriental e Meridional de sua Plataforma Continental, que inclui a ERG. As pesquisas científicas fornecem a base de dados necessária à sustentação dos pleitos brasileiros, bem como à identificação dos recursos naturais, vivos e não vivos, da região. As comissões científicas também incrementam a presença brasileira e o monitoramento na ERG, além de contribuírem para o uso sustentável e a proteção desse patrimônio que pertence à sociedade brasileira”, acrescentou o Contra-Almirante Robledo.
Para Rodrigo Fernandes More, a presença da Marinha na região também contribui para evidenciar a importância estratégica dos espaços marítimos para o País.
“Na perspectiva do presente, a importância está no que estamos vendo hoje aqui, por exemplo, embarcados no ‘Atlântico’: uma oportunidade para a discussão da soberania nacional, da apropriação de recursos e riquezas que estão dentro da jurisdição e competência do Brasil, agregando a universidade, a sociedade civil e a Marinha do Brasil”, explicou.
Segundo Rodrigo Fernandes, a Elevação do Rio Grande também apresenta potencial associado à ocorrência de minerais estratégicos.
“Ela congrega um volume substancial de crostas ricas em cobalto. É importante lembrar que o cobalto é um dos metais utilizados no desenvolvimento de baterias de carros elétricos, por exemplo. Para o desenvolvimento do País em energia limpa, essa reserva da Elevação do Rio Grande é estratégica para o futuro do País e para as futuras gerações de brasileiros”, destacou.
Por sua localização e características, a região tem sido objeto de expedições científicas e ações da MB. A presença de meios navais, associada ao apoio à pesquisa, contribui para ampliar o conhecimento sobre essa parcela do Atlântico Sul e demonstra a capacidade do Poder Naval de atuar em áreas oceânicas de interesse estratégico para o País.
“Não basta apenas usar uma proposta jurídica prevista na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar para pleitear que essa grande riqueza possa definitivamente ser reconhecida como parte do território brasileiro. Não basta isso. Além de fincar a bandeira, que é um gesto simbólico importante, é muito importante se fazer presente. Aqui, a Elevação é nossa. Nós sabemos cuidar e estamos cuidando dela”, enfatiza.
Maior navio de guerra da América Latina
Principal navio da Esquadra brasileira, o NAM “Atlântico” possui aproximadamente 208 metros de comprimento e 45 metros de altura total, sendo cerca de 39 metros da linha d’água ao topo do mastro.
O navio tem capacidade para transportar até 1.100 pessoas e 40 viaturas, além de acomodar 16 aeronaves no hangar e operar, simultaneamente, até sete delas no convoo. Sua velocidade máxima é de 16 nós, equivalente a aproximadamente 30 km/h.
As características do NAM “Atlântico” permitem reunir, em uma mesma plataforma, capacidades de comando e controle, operação de aeronaves, transporte de pessoal e material e permanência no mar, contribuindo para ampliar o alcance de atuação da Esquadra brasileira.
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Fonte: Marinha do Brasil












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