Braço direito de interventor, general Sinott deixa chefia do Gabinete da segurança no Rio

O general Mauro Sinott Lopes, chefe de Gabinete da Intervenção Federal no Rio de Janeiro, deixou o cargo. A informação foi confirmada pela TV Globo na manhã desta quinta-feira, no Bom Dia Rio.

Sinott era o considerado o braço direito do interventor, general Walter Souza Braga Netto.

“A saída iria acontecer em março, pois o general Sinott foi nomeado para um comando no Rio Grande do Sul. Ficou até o plano ser formatado, a pedido do general Braga Netto. Estava tudo já previsto”, explicou o coronel Carlos Cinelli, porta-voz do Comando MIlitar do Leste.

Quem substitui Sinott é o general Paulo Roberto de Oliveira, atual Chefe do Estado-Maior do Comando Militar do Leste. Ele já participou da instalação do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras quando foi chefe do Estado Maior da Comando Militar do Oeste (CMO).

Reservado e extremamente técnico. Assim os colegas militares definem o general de divisão Mauro Sinott Lopes. Sinott exercia esta função na atual hierarquia no Comando Militar do Leste. Ele era comandante da 1ª Divisão de Exército. Quando foi decretada a Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio, em 28 de julho do ano passado, o general de divisão foi escolhido para assumir o comando operacional das tropas, por ser considerado um estrategista nato.

O general traz na bagagem a experiência de já ter comandado tropas em comunidades. Em 2014, foi um dos comandantes da Força de Pacificação do Complexo da Maré. Em setembro do ano passado, foi o coordenador das operações das Forças Armadas no Rio durante as operações de ocupação da Rocinha. Na época, deixou claro que prefere trabalhar com ações de longo prazo. E que acredita na tática de conquistar a confiança da população. Em entrevista ao GLOBO na ocasião, afirmou que os homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica não tinham prazo para sair da Rocinha. E reiterou a importância de os moradores “vencerem o medo” e denunciarem.

— Quando eu estava na Maré, um morador ligou para rádio e perguntou: general, e quando vocês forem embora, como vai ficar? Vai voltar tudo como era antes? Eu lembrei a ele o seguinte: sua pergunta está errada: Você deveria me perguntar: general, o que eu posso fazer agora para, quando a tropa sair, não voltar a ser o que era antes. Porque estou dizendo isso? Para reforçar que a comunidade é que detém esta oportunidade de contribuir para que este trabalho que estamos fazendo agora se perpetue por muito tempo. Eles são as pessoas que podem nos ajudar a limpar por um longo tempo a comunidade — afirmou na época.

O general assumiu o comando da Força de Pacificação do complexo de favelas da Maré em 30 de maio e ficou à frente da tropa até 31 de julho, quando acabou o prazo para a atuação das Forças Armadas na região. Quando chegou, afirmou que ia manter o perfil de trabalho de seu antecessor, general Roberto Escoto, acrescentando que pretendia investir na integração com a comunidade:

— Vamos continuar a manter contatos e a fazer reuniões quinzenais com associações de moradores e ONGs da região — declarou.

Sinott é duas turmas anteriores a de Braga Netto e assumiu o comando da 1ª Divisão de Exército do Rio em 31 de julho de 2016. Ele nasceu na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 3 de dezembro de 1959. Entrou no Exército em 28 de fevereiro de 1977, na Escola Preparatória de Cadetes do Exército, em Campinas, São Paulo. De acordo com o seu currículo, tornou-se aspirante a oficial da Arma de Cavalaria, em 1983, na Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Rio. Começava aí seus primeiros contatos com o estado. Em áreas de risco, o militar comandou o 2º Contingente da Operação São Francisco, no Complexo da Maré, região que conhece como ninguém.

Foi Sinott quem, durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, ao lado do amigo Braga Netto, chefiou o Comando Conjunto de Prevenção e Combate ao Terrorismo.

É considerado um dos mais preparados oficiais do Exército. Além dos cursos de formação, de aperfeiçoamento e de altos estudos militares, fez os treinamentos em área como o paraquedismo, operações na selva, ações de comandos. Ele ainda é mestre de salto, básico de salto livre e técnico de blindados. Mas um dos cursos que mais lhe dá orgulho é o de Forças Especiais, os conhecidos FEs. São os militares que, no jargão militar, levam “a faca nos dentes”. Os FEs são equiparados, pelos militares brasileiros, como os “Navy Seals” americanos do Exército Brasileiro, por ser uma tropa altamente treinada para missões de extrema periculosidade. Os Navy Seals dos Estados Unidos são os militares responsáveis pela morte do terrorista Osama Bin Laden.

Durante sua vida militar, Sinott foi ainda comandante de pelotão e de esquadrão de cavalaria, além de instrutor dos cursos de Comandos e Forças Especiais, da Academia Militar das Agulhas Negras. Mas as habilidades do general não se restringem ao campo operacional. Ele também é analista no Centro de Inteligência do Exército, daí a árdua tarefa que lhe coube de ser o maestro da integração dos serviços de informação das duas polícias (Civil e Militar), da subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança, da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e do Corpo de Bombeiros, durante a intervenção federal. A ideia é fazer com que os analistas de informação não levem os dados de inteligência num pendrive, quando deixarem os cargos, ação comum ao término de cada gestão. Tal prática é bastante corriqueira entre as polícias, mas a palavra de ordem no gabinete provisório do CML é “compartilhamento de dados”.

FONTE: Extra

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