Estaleiros estrangeiros insistem em corvetas ‘desdentadas’ para a Classe Tamandaré

Por Roberto Lopes
Especial para o Poder Naval

Alguns dos estaleiros estrangeiros que concorrem ao contrato de produção dos navios de escolta classe Tamandaré ainda dão sinais de resistir aos parâmetros estabelecidos pela Marinha do Brasil (MB) para o certame.

Segundo o que o Poder Naval pôde apurar, os representantes dessas empresas reclamam do fato de as suas representadas precisarem oferecer um projeto baseado no desenho concebido pelo Centro de Projetos de Navios (CPN), do Rio de Janeiro.

O CPN definiu uma embarcação de certa complexidade – com 2.790 toneladas e dois sistemas de mísseis – que possa ser desenvolvido a um custo consideravelmente baixo – estimado pelos militares na faixa de 270 a 320 milhões de dólares.

Por esse valor, o que os fornecedores estrangeiros – europeus especialmente – enxergam como mais factível são navios de tonelagem inferior à do projeto do CPN, e artilhados com simplicidade. “Corvetinhas desdentadas”, conforme definiu para este jornalista, por e-mail, um oficial envolvido diretamente no processo.

Tais propostas diriam respeito a projetos que a mesma fonte situa como “evoluções de OPV” (Offshore Patrol Vessel) – um navio despreparado para os chamados “danos de combate” ou para operar em mares tempestuosos.

O Atlântico Sul não é o oceano mais tormentoso do mundo – esse galardão é do Oceano Pacífico – mas ele banha a famosa Passagem de Drake – um espaço de 640 km entre o extremo sul do território argentino e a Antártida – que é considerado o espaço marítimo de maiores tormentas do planeta.

A Marinha não quer que os potenciais fornecedores da classe Tamandaré peguem o projeto de um patrulheiro oceânico e, simplesmente, incrementem sua tonelagem. Os chefes navais estão na expectativa de que esses fabricantes refaçam o projeto do seu OPV para que ele se adeque ao padrão de um navio de guerra – padrão este um tanto distante do desenho de um navio de patrulha.

ORP Ślązak, Meko A100 da Polônia
MEKO – De acordo com o que o Poder Naval apurou, o poderoso conglomerado alemão ThyssenKrupp Marine Systems (TKMS) acena para a Força Naval brasileira com sua corveta MEKO (acrônimo de Mehrzweck-Kombination, em português “Combinação Multi-propósito”) A100, que foi vendida à Marinha da Polônia.

Fabricada pelo estaleiro Blohm + Voss, de Hamburgo (empresa do grupo TKMS), a MEKO A100 possui diferentes configurações e preços.

A Meko A100 é uma evolução “stealth” da Meko 100, adquirida pela Malásia. Esses navios têm comprimento de casco de 98 m e deslocamento de 2.400 toneladas.

A TKMS oferece a MEKO no mercado por um valor unitário no patamar dos 300 milhões de dólares, mas sem sensores e armas.

No capítulo do armamento o navio é proposto com uma peça principal Otobreda de 76 mm na proa, e um canhão secundário de 30 mm. Armas melhores, como sistemas de mísseis (mesmo de limitada capacidade) ficam por conta do cliente.

KD Pahang (172), Meko 100 da Malásia
KD Kelantan (175) da Malásia, no estreito de Malacca

VARD – Alguns fornecedores estrangeiros que participam da disputa da classe Tamandaré também reclamam que, na documentação recebida da Marinha figuram folhas com o timbre do grupo Fincantieri, indústria italiana que concorre ao fornecimento dos escoltas para a Marinha do Brasil.

A explicação: a empresa VARD Niterói S/A, parceira desde 2014 do CPN no empreendimento das Tamandarés, pertence efetivamente ao conglomerado Fincantieri, que possui um estaleiro no Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, o VARD Promar.

Mas a MB garante que não há qualquer benefício para o Fincantieri. Ganhará a licitação das Tamandarés o competidor que oferecer o melhor projeto e as melhores condições à Marinha do Brasil.

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