De olho no futuro, Exército reestrutura seu Portfólio Estratégico

Centro de Comunicação Social do Exército

O Exército Brasileiro está promovendo a reestruturação do seu Portfólio de Programas Estratégicos, com a publicação da Portaria – EME/C Ex nº 1.703, de 4 de março de 2026. A medida reestrutura a configuração dos Programas Estratégicos da Instituição, de modo a otimizar o emprego de recursos e proporcionar maior convergência entre as capacidades militares, registrando um passo importante no sentido de manter a Força alinhada aos desafios do mundo atual.


Com a entrada em vigor da nova Portaria, o Portfólio Estratégico do Exército passou a ser integrado por 7 (sete) Programas prioritários: Forças Blindadas, Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), ASTROS-FOGOS, Sentinela, Aviação do Exército e Drones, IA e Defesa Cibernética, além de Desenvolvimento do Setor Cibernético na Defesa.
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Com essa reestruturação, o Exército busca fortalecer sua capacidade de resposta frente a ameaças convencionais e não-convencionais, ampliando sua integração com outras instituições nacionais e reafirmando sua missão de garantir a defesa dos interesses nacionais. O novo Portfólio Estratégico ressalta a visão de futuro da Força como uma instituição moderna, preparada e comprometida com a sociedade brasileira.
 


O processo de transformação do Exército, em curso desde 2024, motivou a reestruturação do Portfólio. Em 2025, foi conduzido um amplo estudo comparativo com outros países, com o objetivo de compreender o dimensionamento das forças de prontidão. A partir dessa análise, foram elaborados documentos estratégicos, como a concepção do novo Conceito Operacional do Exército. Com base nesse direcionamento, os Programas foram revisados à luz de sua contribuição para o atendimento das Capacidades Operacionais e das Capacidades Militares Terrestres necessárias.

ASTROS – FOGOS

Uma das alterações advindas da Portaria que reestrutura o Portfólio Estratégico é a centralização das iniciativas com escopo na Artilharia em torno de um único Programa, que passa a ser denominado ASTROS – FOGOS. Essa atualização em um único eixo estratégico, visa a alinhar planejamento, execução e controle às diretrizes estabelecidas pelo Alto-Comando, com foco na eficiência da gestão e na previsibilidade orçamentária.
 


O ASTROS é um Sistema de Apoio de Fogo de longo alcance e elevada precisão, capaz de empregar toda uma família de foguetes e mísseis táticos de cruzeiro, contribuindo para a dissuasão extrarregional. No contexto desse Programa, foi implantada a estrutura física do Forte Santa Bárbara para a Artilharia de Mísseis e Foguetes, em Formosa (GO). A iniciativa é integrada por projetos de pesquisa e desenvolvimento, de aquisição e modernização de viaturas e de construções de instalações, que contribuem para equipar a Força Terrestre e gerar novas capacidades dissuasórias.

A reestruturação estabelece a configuração três Subprogramas: Defesa Antiaérea, Sistema de Artilharia de Campanha de Mísseis e Foguetes e Sistema de Artilharia de Campanha. A nova estrutura de governança prevê a descentralização das gerências operacionais para as sedes tecnicamente vinculadas aos projetos, mantendo o controle orçamentário e a coordenação estratégica no âmbito do Estado-Maior do Exército.
 

Sentinela

A nova legislação também estabeleceu a fusão dos Programas Estratégicos Sentinela da Pátria e Amazônia Protegida, para a criação do Programa Estratégico do Exército Sentinela.

Ambas as iniciativas, agora unificadas, estão alinhadas à Concepção Estratégica do Exército de fortalecimento das Capacidades Militares Terrestres. O Programa contempla a implantação, reestruturação, modernização e aperfeiçoamento das infraestruturas de Organizações Militares, contribuindo para a operacionalidade e o poder de combate da Força, em particular daquelas voltadas para a vigilância e proteção das fronteiras e de áreas estratégicas da Amazônia, regiões prioritárias para a Defesa Nacional.
 


Novo escopo

Dois Programas Estratégicos passarão por uma mudança de escopo, com a inclusão de novas capacidades de emprego militar. O Programa Defesa Cibernética foi renomeado para IA e Defesa Cibernética, enquanto no Programa Aviação do Exército foi incluído o termo “Drones” à sua nomenclatura.
 


Não se trata de uma mera alteração de nome, mas a adequação do Exército às novas tendências observadas no campo da Defesa. O foco é proporcionar capacidades para uma Força mais eficaz, capaz de responder rapidamente a ameaças, sempre com o objetivo de cumprir a missão constitucional de defender a Pátria

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Programas Setoriais

A Portaria – EME/C Ex nº 1.703, também, determina a transformação de 5 (cinco) Programas Estratégicos em Programas Setoriais: Obtenção da Capacidade Operacional Plena (OCOP), Lucerna, Sistema Operacional Militar Terrestre (SISOMT), Sistema Logístico Militar Terrestre (SLMT) e Sistema de Educação e Cultura (PENEC).

O OCOP visa a dotar as Organizações Militares do Exército de sistemas e materiais de emprego militar para manter a permanente capacidade operacional. O Programa contempla a obtenção, a pesquisa, o desenvolvimento e a modernização dos sistemas e materiais, buscando a interoperabilidade logística com as demais Forças, no que couber.
 


O Programa Lucerna tem o objetivo de transformar o Sistema de Inteligência do Exército, incrementando sua capacidade de obtenção e análise de dados, adaptando ou criando Organizações Militares vocacionadas para a Inteligência de Combate. A iniciativa é gerenciada pelo Centro de Inteligência do Exército.

O SISOMT tem o foco no preparo e emprego da Força Terrestre, além de aprimorar a gestão das Forças de Prontidão Operacional (FORPRON). Já o SLMT destina-se a modernizar a logística no âmbito da Força. Nesse intuito, foi criada a Rede Logística Estratégica do Exército, composta por Pontos Nodais Logísticos, localizados em pontos de interesse estratégicos no território nacional

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​​Por sua vez, o PENEC tem como objetivo central atualizar e qualificar o Sistema de Educação e Cultura do Exército, preparando o militar para os desafios da Era do Conhecimento e as novas demandas do Processo de Transformação em curso.

Visão de futuro

A partir da nova configuração de seu Portfólio Estratégico, o Exército reforça seu compromisso de estar preparado para os desafios do século XXI. A medida representa um marco na trajetória de transformação institucional, reafirmando o compromisso com a construção de uma Força mais ágil, integrada e tecnologicamente avançada. O novo Portfólio reflete a prioridade em áreas estratégicas como defesa cibernética, inteligência artificial, drones, monitoramento de fronteiras e modernização dos sistemas operacionais, alinhando-se às demandas contemporâneas da segurança nacional e ao papel

Por Major Cerqueira (CCOMSEx)

Fonte: Exército Brasileiro