UnB promove mostra de cinema sobre regime militar

Filmes sobre violações dos direitos humanos serão exibidos entre 22 e 26 de outubro

A Universidade de Brasília vai exibir mostra de cinema sobre violações dos direitos humanos durante o regime militar. Marcas da Memória reúne 15 filmes, entre longas e curta metragens. As exibições serão de 22 a 26 de outubro, com sessões às 12h e às 15h, nos anfiteatros 9 e 10 do Instituto Central de Ciência do Campus universitário Darcy Ribeiro.

Os filmes são, em sua maioria, produzidos ou apoiados pelo projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. O projeto visa estimular iniciativas culturais que permitem à sociedade conhecer as violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988, disseminando informações, em formato acessível, que permitam resgatar o passado autoritário para não repeti-lo no futuro.

A mostra da UnB trará também o documentário Barra 68 – sem perder a ternura (2001), escrito e dirigido por Vladimir Carvalho, que retrata da criação da Universidade, das inovações que ela propunha e da perseguição sofrida com o regime militar, quando foi invadida pelo exército brasileiro em 1968.

“A proposta é trazer novamente para o debate público a memória e a reflexão crítica sobre o regime de exceção vivido no Brasil e pensar em seus reflexos no presente”,  aponta Lorena Bicalho, coordenadora de arte e cultura da  Diretoria de Organização Comunitárias, Cultura e Arte (DOCCA) e uma das organizadoras do evento. “A história da ditadura militar precisa ser reforçada a todo tempo. Ela é muito recente e custa a ser realmente passada a limpo”, diz.

 

Serviço

Mostra Marcas da Memória da Comissão de Anistia na UnB

Instituto Central de Ciências, anfiteatros 9 e 10 (Universidade de Brasília, Campus Darcy Ribeiro, Asa Norte). De 22 a 26 de outubro, com sessões às 12h e às 15h. Entrada franca. Verifique a classificação indicativa.

Programação

 

Dia 22 de outubro (segunda-feira)

15h

Vou contar para os meus filhos (Brasil)

Direção de Tuca Siqueira, 2011, 24 minutos. Entre 1969 e 1979, 24 jovens mulheres estiveram presas na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor, em Recife (PE), porque lutavam por igualdade social e pela democracia em uma época em que o Brasil enfrentava uma ditadura militar. Passados 40 anos, o reencontro delas, que hoje moram em diferentes estados do país, traz de volta não apenas os laços de solidariedade que surgiram no presídio, mas também a lembrança de um Brasil que tentou calar vozes e violentar sonhos. Classificação indicativa: 10 anos

 

Barra 68 – sem perder a ternura (Brasil)

Direção de Vladimir Carvalho, 2001, 82 minutos. A luta de Darcy Ribeiro, nos anos 60, para criar e implantar a Universidade de Brasília. E as repetidas agressões sofridas pela UnB desde o golpe militar até os acontecimentos de 1968, quando foram detidos numa quadra de esportes cerca de 500 estudantes.

 

Dia 23 de outubro (terça-feira)

12h

Lua nova do penar (Brasil)

Direção de Leila Jinkings, 2013, 27 minutos. A família de Hiram de Lima Pereira tinha na música e na poesia um elemento central e unificador. Jornalista, ator e poeta, membro do Comitê Central do Partido Comunista, desaparecido político. As filhas cantam a música que Hiram compôs na prisão e as músicas que a mãe, musicista, deixou. A trilha sonora é toda da criação familiar. Um olhar sobre a pessoa, que transcende o contexto político. Classificação indicativa: 10 anos

 

Militares da democracia: os militares que disseram não (Brasil)

Direção de Silvio Tendler, 2013, 100 minutos. Eles lutaram pela Constituição, pela legalidade e contra o golpe de 1964, mas a sociedade brasileira pouco ou nada sabe a respeito dos oficiais que, até hoje, ainda buscam justiça e reconhecimento na história do país.  O filme resgata, através de depoimentos e registros de arquivos, as memórias repudiadas, sufocadas e despercebidas dos militares perseguidos, cassados, torturados e mortos, por defenderem a ordem constitucional e uma sociedade livre e democrática. Classificação indicativa: 12 anos

 

15h

Em nome da Segurança Nacional (Brasil)

Direção de Renato Tapajós, 2012, 45 minutos. O filme tem como eixo narrativo o Tribunal Tiradentes, organizado pela Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, em 1983. Acrescenta às cenas do Tribunal diversos materiais, tanto de arquivo quanto ficcionais, e discute a Doutrina de Segurança Nacional, eixo ideológico da ditadura implantada pelo golpe de 1964, e o efeito que ela teve sobre diversos segmentos da sociedade brasileira. Classificação indicativa: 12 anos

 

Retratos de identificação (Brasil)

Direção de Anita Leandro, 2014, 71 minutos. Dois ex-guerrilheiros que lutaram contra a ditadura militar se deparam, pela primeira vez, com fotografias tiradas pela polícia no momento de suas respectivas prisões e processos de banimento. O passado retorna. Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 24 de outubro (quarta-feira)

12h

Damas da liberdade (Brasil)

Direção de Célia Gurgel e Joe Pimentel, 2012, 28 minutos. Através de narrativas de mulheres do Movimento Feminino pela Anistia e do Comitê Brasileiro pela Anistia é contada a história da luta pela anistia no Brasil nos anos de 1970, reacendendo o debate sobre um período de repressão e medo que o país jamais deverá esquecer. Classificação indicativa: Livre

 

Repare bem (Brasil/Holanda/Itália)

Direção de Maria de Medeiros, 2012, 95 minutos.  O documentário  se move por meio da história de três gerações de mulheres. As câmaras registraram em Roma e em Joure, no norte da Holanda, os testemunhos de Denise Crispim e de sua filha, Eduarda Ditta Crispim Leite. Apesar de longe do Brasil, suas palavras, que falam de exílio e de memória, levam-nos a um mergulho profundo na história do Brasil, dos anos 1970 até a atualidade. Classificação indicativa: 10 anos

 

15h

Labirinto de papel (Brasil)

Direção de André Araújo e Roberto Giovannetti, 2014, 29 minutos. Um grupo de pesquisadores do Tocantins busca elucidar eventos envolvendo militantes e o exército durante o período da ditadura civil-militar brasileira na região do então norte de Goiás. Classificação indicativa: 10 anos

 

Uma dor suspensa no tempo (Brasil)

Direção de Vera Totta, 2014, 120 minutos. Durante as filmagens foram visitados espaços físicos que abrigaram a violência no Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. Nesses locais foram gravados depoimentos de personagens da triste história de repressão, destacando os diferentes processos e experiências vividas nas ditaduras civis e militares do Cone Sul da América Latina. Classificação indicativa: 12 anos

 

Dia 25 de outubro (quinta-feira)

12h

Ainda hoje existem perseguidos políticos (Brasil)

Direção do Coletivo Catarse, 2012, 54 minutos. O filme fomenta o debate sobre a ausência de uma efetiva transição democrática no Brasil, pós ditadura civil-militar,  implantada no país a partir de 1964, identificando semelhanças no agir do Estado, no passado e  no presente, demonstrando que a cultura do autoritarismo permanece arraigada em algumas instituições do Estado brasileiro. Classificação indicativa: 10 anos

 

Se cada um de nós se cala (Brasil)

Direção de Célia Maria Alves e Vera Côrtes, 2013, 68 minutos.  O filme insere Goiás no contexto do golpe militar de 1964. A partir de relatos de anistiados, que à época eram jovens estudantes e militantes políticos, o documentário resgata e revela os motivos pelos quais Goiás foi o único estado brasileiro que sofreu intervenção militar e como a ditadura foi cruel com os brasileiros e goianos que ousaram não se calar. Classificação indicativa: 10 anos

 

15h

1964 – Um golpe contra o Brasil (Brasil)

Direção de Alípio Freire, 2013, 145 minutos. Aborda a memória do período de conspiração do golpe de Estado, fazendo uma breve retrospectiva desde o final da II Guerra Mundial, além dos primeiros dias da ditadura civil-militar de 1964-1985, dentro do contexto internacional da época, com seus autores e suas motivações. Classificação indicativa: 10 anos

 

Dia 26 de outubro (sexta-feira)

15h

30 Anos da Anistia (Brasil)

Direção de Luiz Fernando Lobo, 2009, 17 minutos. Retrata a história da ditadura militar no Brasil, a luta do povo brasileiro pela liberdade, pela Anistia. Durante um período sombrio da história do Brasil, ouve-se um grito de esperança e justiça, o povo reivindicou seus direitos e conseguiu. Foram criadas a Lei da Anistia e a Comissão de Anistia, posteriormente. Classificação indicativa: 12 anos

 

Nossas histórias (Brasil)

Direção de Angela Zoé, 2014, 72 minutos. Relata histórias pessoais de três pessoas anônimas que lutaram e resistiram de forma heroica à ditadura militar brasileira: Angelina Dutra – Casa de Mãe Casa de Filha, Damaris Lucena – Céu Aberto e Theodomiro Brito – Pena de vida. São narrativas inspiradoras, de coragem e superação extremas, de pessoas que tiveram suas vidas transformadas, mas que nunca tiveram a oportunidade de contar suas histórias. Classificação indicativa: 12 anos

 

FONTE: Correio Braziliense