Pelotão do Exército na Amazônia terá sistema inédito de armazenamento de energia

O Pelotão Especial de Fronteira (PEF) do Exército em Tunuí–Cachoeira, no Amazonas, vai ser o primeiro do Brasil a contar com um sistema híbrido de armazenamento de energia que integra gerador, baterias de sódio recicláveis e painéis fotovoltaicos. O projeto é uma parceria da Itaipu Binacional e o Exército Brasileiro.
Na primeira quinzena de outubro, uma equipe de Itaipu esteve em Tunuí para receber e instalar os equipamentos – entre eles, um inversor de frequência e o módulo de controle e monitoramento. Foram aproximadamente dez dias de trabalho. O transporte e desembarque exigiram cuidados especiais, como proteção contra impactos e umidade.
A previsão é que até o final de novembro o conjunto entre em fase de testes e seja comissionado por técnicos brasileiros (da binacional), espanhóis (da empresa Ingeteam) e italianos (da FZSonick). Em seguida, entrará em operação.
Sai o diesel, entra o Sol
O novo sistema foi desenvolvido pela equipe do Programa Veículo Elétrico (VE) e poderá beneficiar outros pelotões de fronteira da Amazônia Legal e comunidades isoladas. A principal vantagem é a utilização de uma fonte limpa e abundante no País (o Sol) para gerar energia.
Hoje, a energia produzida nesses locais provém de geradores a diesel, combustível fóssil (não é renovável), poluente e caro – o litro chega a custar R$ 45 na selva, considerando os custos de transporte.
O chefe da Assessoria de Mobilidade Elétrica de Itaipu, Celso Novais, explica que o sistema é híbrido bidirecional, ou seja, durante o dia a energia gerada no painel fotovoltaica alimenta a rede e o excedente carrega a bateria; à noite, quando não há luz solar, ocorre o inverso: a bateria abastece a rede. O gerador a diesel vai funcionar apenas como backup.
Comunidade isolada
Em Tunuí, atuam aproximadamente 60 militares do 5º Batalhão de Infantaria de Selva, que serão beneficiados com a nova tecnologia. A energia será usada para abastecer casas, escolas, escritórios e hospital, além de uma comunidade indígena vizinha.
Para chegar ao local, é preciso voar até Manaus, depois embarcar em outro avião menor, até São Gabriel da Cachoeira, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela. A fase final do trajeto é feita de lancha, pelo Rio Negro, em uma viagem de aproximadamente seis horas.

 

FONTE: Paraná Portal